Mais da metade dos presos em Mato Grosso (54%) está ligada a facções criminosas, seja diretamente ou como apoio logístico, segundo dados da professora de Criminologia da UFMT, Vladia Soares. Dos mais de 14 mil detentos no estado, cerca de 7,4 mil têm conexão com o crime organizado – e estimativas do Poder Judiciário indicam que mais de 30 mil pessoas (incluindo familiares e colaboradores externos) estão vinculadas a essas organizações.
O problema dentro e fora dos presídios
Especialistas alertam que, enquanto líderes continuam comandando crimes de dentro das celas, o sistema falha em conter a comunicação ilegal e o recrutamento de novos membros. O juiz Geraldo Fidelis, coordenador do Grupo de Monitoramento do Sistema Carcerário de MT, afirma que o maior desafio é isolar as lideranças e bloquear celulares – citando como exemplo o modelo chileno, onde presídios têm bloqueio total de sinal.
Como frear o poder das facções?
Separação de presos – Criar alas específicas para não faccionados, evitando a coerção sobre detentos vulneráveis.
Bloqueio de comunicação – Uso de body scanners, bloqueadores de sinal e fiscalização rigorosa de visitas.
Proteção a desertores – Programas de delação protegida para quem quer sair das facções.
Fim de privilégios – O promotor Adriano Alves (Gaeco) critica regalias como visitas íntimas, usadas para passar ordens.
Recrutamento de jovens: o elo mais frágil
O delegado Frederico Murta (Core) ressalta que o crime organizado explora a falta de oportunidades, recrutando jovens sem emprego ou estudo. “A polícia lida com reflexos de problemas sociais”, diz, destacando a necessidade de políticas públicas integradas.
O caminho para reduzir a influência das facções, segundo Vladia, passa por reinserção social eficaz e controle rigoroso dentro dos presídios. Enquanto isso não acontecer, o ciclo de violência tende a se perpetuar.
De A Gazeta












