Os perigos da terapia com IA e a ameaça à saúde mental

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Por Amanda Paim

A Inteligência Artificial tem revolucionado e transformado a sociedade atual. Essa ferramenta está cada vez mais presente no nosso cotidiano, ditando a forma como pesquisamos, trabalhamos e como nos relacionamos com o mundo.

Mais do que nas tarefas do dia a dia, a automação inteligente é considerada por muitos como o ‘’diário moderno’’ , fazendo parte da vida pessoal, ouvindo os desabafos, dando conselhos e opiniões,  fazendo companhia e até mesmo criando perfis para cada necessidade. 

Isso tem sido bastante comum entre os jovens. Não é raro ver em redes sociais, jovens que compartilham suas experiências de terapia com o ”psicólogo’’, uma das personas mais populares e buscadas no chat gpt. 

Contudo, por mais que a tecnologia tenha se aproximado do comportamento humano, a substituição de profissionais qualificados pela máquina na hora de buscar ajuda ou no tratamento da saúde mental pode ser um grande problema.

Especialista alerta para os riscos de substituir o acompanhamento profissional

A psicóloga Rayssa Porto elucidou que essa prática é bastante comum entre os jovens e explicou que a busca deles por aceitação e validação os fazem buscar ajuda de forma quase que automática e sem custos.  

”Quando pensamos na busca de instrumentos tecnológicos para aplacar as angústias, vemos aí um movimento de endossar e ratificar os seus conflitos, tendendo unilateralmente a favorecer a si próprio, visto que as respostas dada por boots é alimentada pelo viés do algoritmo. Então, é uma tentativa rápida e barata de utilizar como um escape’’, explica a profissional.

Atuando na área clínica há mais de 10 anos, Rayssa explica a principal diferença entre se consultar com um profissional da área e a ferramenta de inteligência artificial.

”O papel do psicólogo  é muito mais sobre  fazer perguntas para o sujeito do que lhe dar respostas prontas e conselhos. Uma escuta ética, proporciona ao sujeito um espaço seguro para poder lidar de forma saudável com seus conflitos, sentimentos e sofrimento psíquico’’ , diz.

Psicóloga Rayssa Porto (Foto: Arquivo Pessoal)

A profissional alerta que já existem casos de psicoses e comportamentos paranóicos relacionados ao uso de IAs, resultado de uma fuga da realidade quando o indivíduo se alimenta apenas de respostas prontas fornecidas por robôs. 

Ela ainda reforça que, em situações extremas, como processos depressivos com pensamentos suicidas, ferramentas digitais não têm a capacidade de intervir, acolher ou acionar redes de apoio, nem de orientar corretamente sobre medicação. 

Segundo a profissional, não há como fugir do desconforto em algumas situações, e que o papel do psicólogo é justamente esse, de apontar sobre os desafios de se viver em sociedade e respeitar os limites e sentimentos do outro. 

”Acreditar que desabafar com a IA possuí em efeito terapêutico, é negar que a realidade é composta por pessoas singulares e opiniões diferentes. […] Um bom profissional consegue fazer um furo no narcisismo do sujeito trazendo à tona a realidade social, e ao mesmo tempo, proporciona ferramentas e desenvolvimento de habilidades para lidar com os outros e consigo’’, finaliza.

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