O tornado que devastou cidades da região Centro-Sul do Paraná na sexta-feira (7) alcançou intensidade EF3 e pode estar entre os dez mais severos já registrados no país, segundo o pesquisador Daniel Henrique Cândido, doutor em Geografia pela Unicamp.
O fenômeno deixou seis mortos e destruiu cerca de 90% de Rio Bonito do Iguaçu (PR). Cândido lembra que o Brasil ocupa a segunda posição mundial em áreas de maior risco para tornados, atrás apenas do corredor dos tornados dos Estados Unidos.
De acordo com o especialista, a geografia da América do Sul favorece a formação desses eventos. A combinação de áreas planas, o encontro de massas de ar e o canal formado entre a Cordilheira dos Andes e a Serra do Mar cria as condições ideais para tempestades severas. Por isso, as regiões Sul e Sudeste do país concentram a maior parte dos registros históricos de tornados, com destaque para estados como Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
Cândido também propõe a criação de uma Escala Brasileira de Ventos (Ebrav), que classificaria tornados de 0 a 7, adaptada às realidades do país. Pela análise dos danos, o tornado do Paraná seria nível 6, capaz de causar desabamentos, levantar automóveis e derrubar torres de energia. Esses ventos superam os 260 km/h e provocam destruição generalizada, especialmente em áreas urbanas.
Apesar da gravidade, o pesquisador destaca que o Brasil ainda carece de uma cultura de prevenção. A diferença em relação aos EUA está na educação meteorológica e na infraestrutura de radares.
“Lá, as pessoas acompanham a previsão do tempo diariamente; aqui, o acesso a informações é burocrático e limitado”, afirma. Ele alerta que a vulnerabilidade social agrava os impactos, já que áreas mais pobres sofrem mais com a destruição e têm menos capacidade de reconstrução.











