Servidores do Samu recorreram à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) nesta quarta-feira (25) para protestar contra a exoneração de 56 profissionais contratados. Em resposta imediata, o Parlamento aprovou um requerimento da Comissão de Saúde convocando o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, para prestar esclarecimentos no dia 31 de março. A preocupação central dos deputados é que a demissão em massa comprometa o atendimento essencial de urgência e emergência à população.
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde (SISMA), Carlos Mesquita, alertou que o corte atinge diretamente as equipes operacionais, incluindo 10 condutores, 22 enfermeiros e 24 técnicos de enfermagem. Segundo a liderança sindical, a saída desses profissionais pode levar ao fechamento de bases estratégicas, especialmente em Cuiabá e Várzea Grande. O sindicato também questionou a falta de convocação dos aprovados no concurso público vigente para suprir o déficit de pessoal.
Na tribuna, o deputado Lúdio Cabral (PT) criticou a condução da política estadual para o setor, afirmando que o governo tenta enfraquecer o Samu desde 2020. O parlamentar defendeu a renovação imediata dos contratos e a nomeação dos concursados, rejeitando a ideia de transferir as responsabilidades do serviço para o Corpo de Bombeiros. Para ele, as funções são complementares e a autonomia técnica do Samu é fundamental para salvar vidas em situações críticas.
O deputado Paulo Araújo (PP) reforçou que a situação seguirá sob monitoramento rigoroso do Legislativo, destacando que há um clima de apreensão sobre uma possível paralisação das unidades. A Comissão de Saúde pretende cobrar do Executivo um cronograma claro de substituição de pessoal que não interrompa o fluxo de socorro. O objetivo é evitar que a transição entre contratados e concursados gere um vácuo no atendimento de rua.
Já o deputado Sebastião Rezende (União) cobrou transparência no planejamento da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT). Ele ressaltou que as bases do Samu são uma conquista histórica da sociedade mato-grossense e que o Parlamento não aceitará retrocessos na estrutura de atendimento. O parlamentar garantiu apoio total aos trabalhadores e frisou que o fortalecimento do serviço é uma prioridade estratégica para a segurança pública e sanitária do estado.
O deputado Dr. João (MDB) classificou a fragilização do sistema como um “absurdo” e reiterou a necessidade de um diálogo urgente com o governo estadual. Ele pontuou que a função técnica desempenhada pelos profissionais do Samu é específica e não pode sofrer redução de proteção sob risco de aumentar a mortalidade em casos de traumas e incidentes graves. A mobilização parlamentar visa garantir que a eficiência do serviço seja preservada durante as mudanças administrativas.
Atualmente, o Samu conta com pouco mais de 180 profissionais em Mato Grosso para cobrir pontos estratégicos de socorro. A redução drástica do quadro, sem uma reposição imediata à altura, é vista como um risco iminente, especialmente em períodos de alta demanda como finais de semana e feriados. A reunião com o secretário Gilberto Figueiredo na próxima semana será decisiva para definir o futuro dos contratos e a manutenção das bases operacionais.











