Operação Iter Mali: Polícia Civil desarticula rota do tráfico e prende advogada em Mato Grosso

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A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira (26.3), a Operação Iter Mali para desmantelar uma organização criminosa especializada em narcotráfico e lavagem de dinheiro. A ofensiva policial cumpriu 28 ordens judiciais nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande, incluindo nove prisões preventivas e nove mandados de busca e apreensão. Além das detenções, a Justiça determinou o bloqueio de dez contas bancárias para asfixiar o suporte financeiro do grupo.

As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), tiveram início em 2024 após uma apreensão de drogas que revelou uma rede altamente estruturada. O grupo operava com divisões de tarefas bem definidas, contando com lideranças para o fornecimento, operadores logísticos para o fracionamento e distribuição, além de vendedores responsáveis pelas bocas de fumo. Para tentar burlar a fiscalização, os suspeitos utilizavam termos codificados como “parafuso” e “farinha” em suas comunicações.

Um dos pontos centrais da investigação foi a identificação de uma advogada, companheira de um dos líderes, que exercia um papel ativo na contabilidade da organização. Segundo a Denarc, a profissional extrapolava a prestação de serviços jurídicos, utilizando contas de terceiros e transferências via PIX para movimentar recursos ilícitos. Em ações anteriores, a polícia já havia apreendido em sua residência uma pistola 9 mm, munições e mais de R$ 10 mil em espécie vindos do tráfico.

A estrutura financeira do bando era sofisticada e focada em dificultar o rastreamento do dinheiro. A advogada atuava como operadora jurídica e financeira, garantindo que o fluxo de capital circulasse por mecanismos que mascaravam a origem dos valores. O delegado responsável pelo caso, Marcelo Miranda Muniz, enfatizou que a prisão da profissional demonstra que ninguém está acima da lei, independentemente da posição social ou ocupação.

O cumprimento do mandado contra a advogada seguiu os protocolos legais e contou com a presença de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), respeitando as prerrogativas da classe. A operação teve pleno respaldo do Ministério Público e do Poder Judiciário de Várzea Grande, reforçando a integração entre as instituições para combater o crime organizado que se infiltra em diferentes camadas da sociedade.

O nome da operação, “Iter Mali”, é uma expressão em latim que significa “o caminho do mal” ou “a rota do crime”. A escolha do termo faz alusão à trajetória logística traçada pela investigação, que mapeou desde a chegada do entorpecente até o consumidor final. A expressão também reflete a escolha consciente dos investigados em seguir o caminho da ilegalidade, mesmo possuindo meios para uma subsistência lícita.

Embora a fase ostensiva tenha ocorrido nesta quinta-feira, as investigações continuam para identificar novos integrantes e possíveis conexões com facções criminosas maiores. O foco agora é o aprofundamento do mapeamento do fluxo financeiro para garantir que todo o patrimônio acumulado pelo crime seja sequestrado pelo Estado, desestruturando permanentemente a capacidade operacional da quadrilha.

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