As eleições para a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado, marcadas para 1º de fevereiro, também irão definir os ocupantes de cargos importantes nas Mesas das duas Casas, com funções administrativas e políticas essenciais. Além dos presidentes, deputados e senadores escolherão dois vice-presidentes e quatro secretários, cargos responsáveis por decisões sobre despesas do Congresso, passaportes diplomáticos e até apartamentos funcionais.
Essas posições também têm impacto político significativo: na Câmara, a Mesa pode encaminhar representações disciplinares contra parlamentares para o Conselho de Ética e é responsável por validar a cassação de mandatos, após decisão da Justiça Eleitoral. Além disso, os ocupantes desses cargos ganham maior poder de indicar funcionários, tanto para seus gabinetes quanto para as Casas, o que amplia sua estrutura e influência.
A negociação para a distribuição desses cargos é baseada principalmente no tamanho dos partidos e nos acordos firmados durante a formação de blocos. As maiores siglas têm a prioridade na escolha, enquanto os partidos que apoiam o vencedor da presidência também têm a vantagem na definição das funções.
Na Câmara dos Deputados, a eleição do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência é dada como certa, com o apoio de praticamente 500 dos 513 deputados. Já o PL ficará com a 1ª vice-presidência, que será ocupada pelo deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), enquanto a 2ª vice-presidência segue em disputa entre União Brasil e PP. O PT, por sua vez, ficará com a 1ª Secretaria, função responsável pelas despesas da Casa.
No Senado, a eleição de Davi Alcolumbre (União-AP) para a presidência também é considerada praticamente garantida. O PL deve assumir a 1ª vice-presidência com o nome do senador Eduardo Gomes (PL-TO), enquanto o PT ficará com a 2ª vice-presidência, com Humberto Costa (PT-PE). O PSD ocupará a 1ª Secretaria, enquanto o PP assumirá a 4ª Secretaria. As outras secretarias e a Comissão Mista de Orçamento seguem sendo negociadas, com destaque para a disputa entre MDB e União Brasil pela relatoria do Orçamento de 2026.
O comando das comissões de Constituição e Justiça (CCJ) na Câmara e no Senado também é uma questão estratégica que ainda está em negociação, com influências vindas da reforma ministerial do governo Lula.
Essas disputas não envolvem apenas cargos de prestígio, mas também o controle sobre as decisões políticas e financeiras que afetarão o funcionamento do Congresso e o direcionamento das políticas públicas nos próximos anos.











