Na noite de quinta-feira (5), um princípio de motim na Penitenciária Central do Estado (PCE) resultou em três detentos feridos no raio 7 da unidade. Familiares dos presos se reuniram na porta da prisão após ouvirem gritos de socorro e disparos de tiros. Os detentos protestavam contra a falta de luz e água nas celas.
A PCE foi uma das 41 unidades prisionais de Mato Grosso alvos da Operação Tolerância Zero, deflagrada pela Secretaria de Estado de Segurança (Sesp), com o objetivo de combater ações do crime organizado.
Na mesma quinta-feira, as equipes da Sesp estavam realizando revistas e buscas nos raios 2 e 6, quando começaram a receber informações sobre a agitação no raio 7. Os detentos, visivelmente alterados, batiam nas celas e estavam agressivos. Foi feito um procedimento de entrada na área e tentativas de diálogo, mas sem sucesso. Os presos reivindicavam o retorno da energia elétrica e o fornecimento de água.
Diante da situação, os agentes não conseguiram controlar os detentos imediatamente. Foi necessário o uso de força progressiva, incluindo uma granada de efeito moral e munições não letais.
Na ocasião, a PCE estava sem energia elétrica devido a uma manutenção na rede da unidade. Como resultado da ação, três detentos ficaram feridos nas pernas e foram levados para atendimento médico.
Ainda durante a noite, familiares dos presos se concentraram em frente à PCE, alarmados pelos gritos de socorro e pelos disparos de armas não letais. A situação gerou ainda mais apreensão quando eles viram quatro ambulâncias deixando o local.
Rodrigo Marinho, presidente da Associação Nacional da Advocacia Criminal (Anacrim), esteve presente e acompanhou o desenrolar dos acontecimentos. Ele comentou que tomou conhecimento da operação, mas que iria continuar monitorando a situação na sexta-feira (6).
“Em 2019, quando tivemos outra situação na PCE, usaram a mesma desculpa – a de manutenção na rede elétrica – para fazer uma operação e terminou daquela forma. Não sei se é um modus operandi. Vamos acompanhar a situação ao longo do dia”, afirmou Marinho.
A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) foi contatada e se manifestará ao longo do dia sobre o ocorrido.












