O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) deu um passo decisivo rumo à transformação digital com o lançamento do Processo de Contas Eletrônico (PCe). A nova plataforma, apresentada nesta quarta-feira (16), chega para substituir o antigo sistema Control P, utilizado há mais de duas décadas. O objetivo central da mudança é reduzir drasticamente o tempo de tramitação processual, eliminando gargalos burocráticos e permitindo que tanto servidores quanto gestores públicos acessem informações de forma remota e integral.
Desenvolvida pela Secretaria Executiva de Tecnologia da Informação (SETI), a ferramenta atende a uma diretriz de modernização estabelecida pelo presidente do órgão, conselheiro Sérgio Ricardo. Segundo a presidência, o TCE precisa acompanhar a evolução tecnológica para oferecer respostas mais ágeis à sociedade, servindo como exemplo de eficiência administrativa para as prefeituras e órgãos estaduais que fiscaliza. A expectativa é que o novo sistema traga mais transparência e celeridade aos julgamentos de contas públicas.
A transição será feita de forma escalonada para garantir a adaptação dos usuários. Inicialmente, o PCe operará com o módulo de autos digitais, que constitui o núcleo da tramitação. De acordo com o cronograma da instituição, a migração total dos mais de 150 módulos do antigo sistema deve ser concluída até 2027. Para facilitar esse processo, a nova interface preservou campos e informações já conhecidos, minimizando a curva de aprendizado para os mais de mil usuários cadastrados.
Um dos maiores avanços técnicos do PCe é a capacidade de realizar tramitações paralelas. Diferente do modelo anterior, em que uma etapa precisava ser concluída para que outra começasse, o novo sistema permite que diferentes setores analisem o mesmo processo simultaneamente. Essa funcionalidade promete reduzir procedimentos que antes levavam cerca de uma semana para apenas algumas horas, otimizando o fluxo de trabalho desde a auditoria até o gabinete dos relatores.
O impacto na produtividade interna também é destacado pela área técnica. Com a possibilidade de acesso via navegadores de internet em dispositivos móveis, como celulares e tablets, os auditores ganham mobilidade e autonomia, deixando de depender de conexões físicas com os computadores da sede. Essa flexibilidade, somada à padronização dos fluxos, deve fortalecer a capacidade de resposta do Tribunal diante do volume crescente de dados e processos registrados.
Para os jurisdicionados — gestores municipais, advogados e cidadãos —, a mudança representa economia e facilidade. Através do módulo PCe Juris, será possível protocolar documentos, vídeos e áudios diretamente de suas cidades, eliminando a necessidade de deslocamentos físicos até Cuiabá. Além disso, o sistema permite o acompanhamento em tempo real do andamento das contas, garantindo maior segurança jurídica e transparência no processo de defesa.
O futuro da plataforma já prevê a integração com o Platão, a inteligência artificial desenvolvida pelo TCE-MT. Os próximos passos incluem a geração automática de resumos processuais, ferramenta que auxiliará os servidores na triagem e análise de casos complexos. A meta é consolidar o PCe como a principal estação de trabalho do órgão, unificando comunicação institucional, auditoria e gestão documental em um ambiente único e sistemático.
Com essa iniciativa, o TCE-MT reforça seu compromisso com a inovação e a desburocratização da máquina pública. Ao substituir um sistema robusto, porém defasado, por uma tecnologia de ponta, a instituição não apenas melhora seu desempenho operacional, mas também amplia o acesso à justiça de contas para todo o estado de Mato Grosso, fortalecendo o controle externo de forma democrática e eficiente.










