Cuiabá realiza primeira audiência pública específica sobre população em situação de rua

A Prefeitura de Cuiabá participou nesta terça-feira (3) de uma audiência inédita na Câmara Municipal voltada exclusivamente ao debate sobre o aumento da população em situação de rua na capital. Proposto pelo vereador Dilemário Alencar, o encontro reuniu representantes do Executivo, Judiciário, OAB-MT, Defensoria Pública, governo estadual e sociedade civil para discutir soluções permanentes para um dos principais desafios sociais da cidade.

Durante a audiência, diversas pastas municipais apresentaram as ações já desenvolvidas pela gestão. A secretária de Assistência Social, Hélida Vilela, defendeu a integração entre os órgãos públicos como caminho para resultados efetivos. “Nenhuma instituição conseguirá enfrentar esse desafio sozinha. Precisamos fortalecer o trabalho conjunto para garantir acolhimento, dignidade e oportunidades”, afirmou.

Pela área da Saúde, a secretária Deisi Bocalon detalhou o trabalho das equipes do Consultório na Rua, que realizam atendimentos médicos, acompanhamento de doenças como tuberculose e hanseníase, curativos, vacinação e encaminhamentos para tratamento especializado. Ela também citou o papel dos CAPS no atendimento a pessoas com dependência química e transtornos mentais, respeitando a autonomia dos usuários.

A procuradora-chefe da Saúde, Bianca Zanardi, apresentou um plano integrado criado pela Prefeitura envolvendo diversas secretarias, com metas compartilhadas e monitoramento contínuo. A iniciativa foi construída a partir de recomendações dos órgãos de controle e das discussões do Comitê Intersetorial coordenado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Entre as ações já em execução estão serviços de acolhimento institucional, abordagem social, oferta de alimentação, distribuição de cobertores, instalação de bebedouros públicos, capacitação de equipes para abordagens humanizadas, programas de qualificação profissional, políticas habitacionais e iniciativas de reinserção social e mercado de trabalho.

Bianca Zanardi ressaltou ainda que o problema exige atuação compartilhada entre município, Estado, União, Judiciário, Ministério Público, Defensoria e entidades da sociedade civil. Um diagnóstico em elaboração deverá identificar com mais precisão as necessidades da população atendida e subsidiar estratégias mais eficazes para os próximos anos.

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