Artigo por Charles da Educação – Antes da faixa, tem uma professora que chegou cedo

14 á 20/08 - Banner Secundário - PREF.MUNDERONDONOPOLIS -  PI 91081

Por Charles da Educação, vereador de Várzea Grande (União)

Toda escola tem aquela professora que abre a sala antes do sinal. Chega com a sacola de material comprado do próprio bolso, escreve a data no quadro, confere quem faltou e já sabe, pelo nome, qual criança não tomou café em casa. Não tem faixa, não tem microfone, não tem foto no jornal. É nessa manhã comum, que se repete em dezenas de bairros de Várzea Grande, que a educação básica acontece de fato. Bem antes de o calendário reservar um dia para lembrar dela.

Hoje é o Dia Nacional da Educação Básica, e eu tenho uma relação meio torta com datas assim. Elas são boas para lembrar, mas também servem, às vezes, para aliviar a consciência de quem passa o resto do ano sem olhar para a escola. A gente posta, aplaude o professor por 24 horas e volta ao normal no dia 27. Como carrego o apelido “da Educação”, ninguém vai estranhar que eu puxe esse assunto. Mas o que me interessa não é a homenagem. É o que vem depois dela.

A palavra “básica” atrapalha um pouco. Dá a impressão de coisa simples, o começo antes do que importa de verdade. É o contrário. É na base que quase tudo se decide. Uma criança que não é alfabetizada na hora certa não fica só “um pouco atrás”. Ela vai empurrando essa defasagem para o quinto ano, para o nono, até o dia em que desiste e alguém, lá na frente, vira estatística de evasão sem que ninguém ligue os pontos. Quem trabalha com educação sabe: o problema do ensino médio quase sempre nasceu na alfabetização.

Nesse ponto, Várzea Grande tem do que se orgulhar, e eu não vou fingir que não. A rede municipal conquistou o Selo Ouro do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada dois anos seguidos. Isso não é sorte nem discurso. É professora chegando cedo, é criança lendo na idade certa, é gente da rede fazendo o trabalho difícil e miúdo que ninguém vê. São quase 40 mil alunos na rede, e cada um deles depende de que a gente leve a base a sério.

E não é conversa para o futuro. Há três semanas saiu o novo IDEB, o boletim da escola pública, e o de Várzea Grande subiu. A rede municipal chegou a 5,7, o melhor resultado dos últimos anos, com escolas que deram saltos de verdade. A EMEB Maria Barbosa Martins, por exemplo, foi de 5,4 para 7,1. Esse número tem nome e sobrenome, e é o de quem chega cedo: a professora, a coordenação, a merendeira, a criança que aprendeu a ler na hora certa. Merece ser comemorado hoje. Só que comemorar não é a mesma coisa que relaxar. IDEB que sobe é convite para investir mais, nunca desculpa para tirar o pé. A criança que avançou neste ano precisa encontrar a mesma escola de pé no ano que vem.

Como vereador, o meu lugar nessa história é claro e eu não me confundo sobre ele. Não sou eu que dou aula, e não vou tomar para mim um crédito que é de quem está na sala. O meu trabalho é olhar o orçamento e perguntar quanto dele chega na ponta, é visitar a escola que ninguém visita, é brigar para que a professora que chega cedo tenha material, estrutura e respeito no contracheque. Homenagem de um dia ela já tem de sobra. O que falta é condição nos outros 364.

Então fica registrado o meu Dia Nacional da Educação Básica. Sem faixa. Com o compromisso de continuar chato no assunto, do jeito que essas crianças merecem que a gente seja.

14 á 20/08 - Banner Secundário - PREF.MUNDERONDONOPOLIS -  PI 91081

Deixe uma resposta