A jornalista, socióloga e advogada Andhressa Sawaris Barboza analisa, em artigo, o comportamento do eleitor de Mato Grosso diante da disputa eleitoral de 2026. No texto, ela chama atenção para o contraste entre a intensa movimentação nas redes sociais e a aparente falta de mobilização nas ruas, ressaltando que o silêncio do eleitor não necessariamente representa indiferença.
Segundo a autora, a disputa pelo Governo de Mato Grosso, pelas duas vagas ao Senado e pelas cadeiras na Câmara Federal e Assembleia Legislativa deveria estimular o debate sobre propostas e escolhas. Ela afirma, porém, que a discussão pública tem sido marcada pela disputa de narrativas, com questionamentos sobre mudanças em chapas, composição de suplências e nomes envolvidos em investigações frequentemente tratados como ataques eleitorais.
O artigo também aborda o uso de vídeos editados na comunicação política. Para Andhressa, os recortes podem contribuir para informar, mas se tornam problemáticos quando o trecho selecionado passa a substituir o contexto completo de uma declaração. Nesse cenário, segundo ela, dúvidas e questionamentos podem ser apresentados como ataques, enquanto respostas parciais ganham força nas redes sociais.
A autora ainda aponta a polarização como um fator que pode dificultar o exame de informações e opiniões divergentes. No texto, ela afirma que fatos favoráveis ao candidato escolhido tendem a ser vistos como legítimos, enquanto questionamentos sobre o mesmo político podem ser classificados como desinformação ou armação. Para Andhressa, esse ambiente reduz o espaço para a cobrança de respostas e para a análise dos fatos.
Ao tratar das pesquisas eleitorais, o artigo cita o cenário de Cuiabá nas eleições de 2024. Na véspera do primeiro turno, levantamento da Quaest apontava Eduardo Botelho numericamente à frente, com 36% dos votos válidos. Na votação, ele terminou em terceiro lugar e ficou fora do segundo turno. A autora ressalta que o episódio não comprova ocultação de voto ou relação direta com a polarização, mas serve para lembrar que pesquisas representam um retrato de determinado momento da disputa.
Ao final, Andhressa afirma que o silêncio do eleitor pode representar cansaço, prudência ou reflexão e não deve ser automaticamente interpretado como apoio a qualquer candidatura. Para ela, a resposta sobre o que o eleitor pensa será dada nas urnas, a partir das escolhas feitas durante a eleição.











