Gisela sai em defesa de Michelle Bolsonaro e Paula reprova atitude

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Fonte: Gazeta Digital, créditos da imagem: Montagem GD

A onda de choque provocada pelo vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) acusa o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) de humilhação e desrespeito causou revolta limitada às redes sociais. Entre os políticos mato-grossenses, poucos comentaram o caso. Em entrevista, a deputada federal suplente Gisela Simona (União) solidarizou-se com a presidente do PL Mulher e classificou o episódio como um reflexo claro da violência política de gênero que afasta e menospreza as mulheres nos espaços de poder. Por outro lado, a correligionária, vereadora Paula Calil (PL), disse que a gravação foi inoportuna por vir à tona em período eleitoral e tratar de episódio do passado.

O desabafo de Michelle, publicado nas redes sociais na quarta-feira (24), revelou que Flávio foi ríspido ao telefone e tentou tirá-la das decisões partidárias sobre o palanque do Ceará, alegando que ela “havia chegado ontem e não entendia nada de política”. Para Gisela, essa postura retrata uma realidade indigesta que a ala feminina enfrenta diariamente nos partidos.

“O que ela coloca ali é algo que, infelizmente, acontece com frequência. Como se nós não entendêssemos de política, como se não tivéssemos capital político e protagonismo. E nós temos”, desabafou a deputada.

Ao ser questionada sobre as críticas que Michelle vem recebendo de adversários por expor a crise familiar a menos de 100 dias das eleições de outubro, Gisela rechaçou os julgamentos sobre o momento da denúncia e defendeu o direito de resposta da ex-primeira-dama.

“Nós sabemos que a violência política de gênero é algo que nem sempre tem essa liberdade para manifestar diretamente. Então você acaba tendo que, muitas vezes, pensar nisso, pensar na família, pensar na repercussão que isso causa, e isso tem toda uma questão moral, tratada anteriormente. E nós respeitamos o tempo da Michelle. O importante é que ela falou a verdade, e isso tem que ser levado em consideração, de novo, por toda a classe política brasileira, porque nós, mulheres, não podemos ser menosprezadas naquilo que nós entendemos da política”, argumentou.

Para a parlamentar, o machismo estrutural fica evidente quando se tenta apagar o peso eleitoral do trabalho que a ex-primeira-dama liderou nacionalmente. Ela pontuou que, caso a situação envolvesse uma figura masculina, a reação seria completamente diferente por parte do grupo político.

“Seria diferente porque, como se diz, muitos chegaram agora também, mas muitos têm feito construção de partidos, e isso que a Michelle fez no país, de organizar o PL Mulher, de eleger a quantidade de deputadas federais, de senadoras, de vereadoras do nosso país, isso tem que ser reconhecido como capital político. Então, eu penso que, se fosse um homem, na verdade, sequer haveria esse tipo de questionamento do tipo ‘quem é você’, né? Então, nós sabemos que isso acontece, infelizmente, no trocadilho aí de violência de gênero que muitos não gostam de admitir, mas que é uma realidade”, declarou.

Apesar da gravidade do racha na direita, Gisela avalia que o impacto eleitoral nas pesquisas para a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro pode ser estancado caso o clã estenda uma bandeira de trégua definitiva.

“Eu acredito que a família vai entrar num acordo, porque a direita, por si só, já está muito dividida, e essa divisão da família seria pior ainda. Reconheço aí a importância do pedido de desculpas que ele fez hoje. Eu acho que é o início de uma construção de um diálogo, claro que muito próximo das eleições, mas é a forma aí mais eficaz, eu acredito que nós tenhamos, é de colocar todo mundo na mesa, mas, de novo, garantindo a todos o papel de protagonista sem entender que A ou B é melhor que alguém”, ponderou.

A presidente da Câmara de Vereadores, Paula Calil, vai contra o posicionamento de Gisela. Para ela, a ex-primeira-dama deveria ter resolvido as pendências com o enteado em casa, com diálogo, não na internet.

“É lamentável. Uma situação como essa, 100 dias, eu não recebo com alegria, eu recebo com tristeza uma situação como essa, porque eu penso que os alinhamentos, o diálogo, tinham que ter sido resolvidos internamente. Uma situação que ocorreu lá atrás, trazer só agora a público. Por que isso?”, declarou.

Eleições em Mato Grosso

Aproveitando o debate sobre o espaço das mulheres na política, a deputada foi interpelada sobre os bastidores regionais. O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) já manifestou publicamente o desejo de ter uma mulher como vice em sua chapa ao Palácio Paiaguás, e o nome da deputada é um dos mais cotados para a vaga.

Gisela negou conversas formais com Pivetta e confirmou que torce por uma composição feminina, mas fez questão de lembrar que o União Brasil em Mato Grosso tem suas próprias equações internas para resolver antes de negociar com outras siglas.

“Não teve nenhuma conversa. Eu também torço para que seja uma mulher. Eu acredito que Mato Grosso e todos os partidos e grupos políticos precisam colocar as mulheres em espaços importantes de protagonismo, mas, de novo, eu sou do União Brasil e nós temos um problema interno para resolver, que é a nossa candidatura, primeiro, à majoritária, a governo. Então, de novo, União Brasil aí vai ter que aguardar a convenção para decidir a sua majoritária, a governadora, para depois tomar outras decisões”, explicou.

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