Operação Mil Faces desarticula quadrilha em MT e ES

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (14), uma ação estratégica para desestruturar uma organização criminosa especializada em crimes cibernéticos de alta complexidade. A Operação Mil Faces mobilizou agentes para cumprir 13 ordens judiciais, incluindo prisões preventivas e mandados de busca e apreensão. O foco da ofensiva é interromper um esquema de invasões de dispositivos e furtos eletrônicos que utilizava tecnologia de ponta para vitimar centenas de pessoas em todo o território nacional.

As diligências ocorreram simultaneamente em Poxoréu (MT) e na região metropolitana de Vitória (ES). Autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 de Cuiabá, as medidas judiciais abrangem não apenas a restrição de liberdade dos suspeitos, mas também o sequestro de bens e a quebra de sigilo telemático. O grupo é investigado por uma série de delitos, como associação criminosa e furto qualificado por fraude eletrônica, cujas penas acumuladas podem ultrapassar os 19 anos de reclusão.

O ponto central da investigação, conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), foi a descoberta do uso de Inteligência Artificial generativa para cometer fraudes. Os criminosos criavam deepfakes — biometrias faciais falsas — com o objetivo de enganar os sistemas de reconhecimento facial de uma grande operadora de telefonia. Essa sofisticação técnica permitia que o grupo burlasse as camadas de segurança biométrica da empresa com facilidade.

Após validarem as identidades fraudulentas, os investigados aplicavam a técnica conhecida como SIM swap. Ao transferir indevidamente o número de telefone da vítima para um novo chip sob seu controle, os criminosos ganhavam acesso irrestrito a contas bancárias, aplicativos de mensagens e serviços financeiros vinculados àquela linha. Esse domínio digital resultou em vultosos prejuízos financeiros para os consumidores, que enfrentaram saques em contas digitais e compras não autorizadas.

De acordo com o delegado Guilherme da Rocha, a operação revela uma nova fronteira da criminalidade moderna, onde ferramentas tecnológicas são distorcidas para subverter protocolos de segurança. Para a autoridade policial, o caso enfatiza o desafio constante das forças de segurança em se capacitarem tecnicamente para enfrentar crimes cada vez mais complexos e digitais. O nome da operação, “Mil Faces”, faz alusão direta à capacidade dos criminosos de gerarem inúmeras imagens sintéticas para enganar os sistemas.

A ação contou com uma rede de cooperação entre diferentes unidades policiais, incluindo o apoio da Polícia Civil do Espírito Santo, que efetuou a prisão de um dos alvos em Cariacica. No Mato Grosso, equipes de Primavera do Leste e Poxoréu deram suporte operacional à DRCI e à Coordenadoria de Enfrentamento ao Crime Organizado (Cecor), garantindo a eficácia no cumprimento das ordens judiciais em diferentes regiões do país.

A Mil Faces está inserida na Operação Pharus, que faz parte do planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026. A iniciativa integra o programa “Tolerância Zero Contra Facções Criminosas”, reafirmando o compromisso do Estado em combater o crime organizado e proteger a integridade financeira e digital da população contra métodos inovadores de fraude.

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