Operação Replay: Polícia Civil desarticula núcleo financeiro de facção com bloqueio de R$ 15 milhões

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A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta quinta-feira (29) a Operação Replay, visando desarticular o núcleo financeiro de uma organização criminosa com atuação em pelo menos três Estados. Foram cumpridos 10 mandados de prisão preventiva, além de buscas e apreensões em Cuiabá, Várzea Grande, Balneário Camboriú (SC), Itapema (SC) e Rio de Janeiro (RJ).

Conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a operação é um desdobramento das fases Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. A nova etapa foi baseada na análise de dados telemáticos, que revelaram a continuidade das atividades criminosas mesmo após as ações anteriores, com divisão de tarefas, operadores externos e uso de contas de terceiros para ocultar a origem ilícita dos recursos.

A Justiça autorizou o sequestro e a indisponibilidade de imóveis e veículos, além do bloqueio financeiro de até R$ 15,324 milhões. O patrimônio alcançado pelas medidas inclui apartamentos e casas de alto padrão em Mato Grosso e Santa Catarina, três terrenos e quatro veículos, totalizando aproximadamente R$ 17,28 milhões em bens imóveis e móveis.

Entre os imóveis estão um apartamento de luxo em Itapema (SC) avaliado em R$ 3 milhões, um imóvel de alto padrão em Balneário Camboriú (SC) estimado em R$ 6 milhões, uma casa em condomínio fechado na região de Camboriú no valor de R$ 6 milhões, e uma residência em Cuiabá avaliada em R$ 1,5 milhão. Os veículos submetidos às medidas somam aproximadamente R$ 607,6 mil.

Um dos pontos mais graves da investigação revelou que uma liderança da facção, mesmo custodiada em regime de segurança máxima no sistema penitenciário mato-grossense, continuava exercendo funções de comando financeiro e disciplinar. Análises de comunicações registraram cobranças de prestações de contas, determinações de recolhimento de valores e orientação a operadores que atuam em liberdade.

O mesmo chip atribuído ao líder foi utilizado em sete aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026, evidenciando uma estratégia para burlar apreensões e controles penitenciários. O nome Replay faz referência à repetição das condutas criminosas e à capacidade de reorganização do grupo após operações anteriores. A nova fase busca interromper esse ciclo e atingir a base econômica que sustenta a atuação da facção em diferentes Estados.

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