Na manhã desta quinta-feira (2), a Polícia Civil de Mato Grosso deu início à segunda etapa da Operação Golden, com o objetivo de cumprir ordens judiciais que aprofundam as apurações sobre uma organização criminosa dedicada ao tráfico de entorpecentes, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Ao todo, são 14 medidas judiciais em execução, incluindo cinco buscas e apreensões em residências, oito bloqueios de contas bancárias e ativos financeiros que somam R$ 283,5 mil, além de uma cautelar diversa da prisão, todas autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias de Cuiabá.
As diligências estão sendo realizadas em cidades mato-grossenses como Várzea Grande, Pontes e Lacerda e Tangará da Serra, com desdobramentos também no município baiano de Itabela. A Operação Golden é conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) e conta com o suporte das delegacias regionais de Pontes e Lacerda e Tangará da Serra, além da Draco da Polícia Civil da Bahia. Entre os alvos está um detento já preso em São Paulo por determinação da Justiça mato-grossense, que acumula extensa ficha criminal no estado por tráfico, homicídio e outras infrações graves.
O foco central desta nova fase é desarticular o setor financeiro da facção, atingindo diretamente a base econômica que mantém as operações ilícitas. Na primeira etapa, deflagrada em 13 de março de 2025, já haviam sido cumpridas 18 ordens judiciais, com prisões preventivas, bloqueios patrimoniais e apreensões que totalizaram mais de R$ 692 mil em espécie e R$ 222 mil em cheques, localizados em Cáceres.
As investigações tiveram início com a prisão em flagrante de um casal ligado ao tráfico, o que permitiu rastrear o uso de contas de terceiros e de um comércio para ocultar e movimentar valores oriundos da venda de drogas.
Com o avanço das apurações, os investigadores identificaram novos integrantes do grupo e ampliaram o mapeamento da estrutura financeira usada para esconder os recursos ilícitos. Um dos achados mais expressivos foi o de uma empresa de fachada, aberta em nome de um suspeito sem histórico empresarial relevante, que movimentou mais de R$ 600 mil em apenas dois meses, valor incompatível com sua renda declarada. Transferências financeiras entre membros da organização e repasses para essa firma fictícia reforçaram as evidências de dissimulação de dinheiro do narcotráfico.
Segundo o delegado André Rigonato, as medidas patrimoniais visam impedir a ocultação ou dispersão de bens possivelmente ligados ao crime, garantir a preservação de provas e assegurar futura reparação de danos. Todo o material apreendido, celulares, computadores e documentos, passará por perícia para subsidiar o andamento do caso. A Operação Golden faz parte do planejamento estratégico da Polícia Civil de MT para 2026, inserida na Operação Pharus, dentro do Programa Tolerância Zero, que intensifica o combate a facções criminosas em todo o estado.











