Fonte: Gazeta Digital, créditos da imagem: João Vieira
O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) investiga um suposto esquema de pagamento de R$ 10 mil mensais a vereadores de Várzea Grande para garantir apoio político ao presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB). Relatórios da investigação também apontam relatos sobre a distribuição de cargos comissionados e o uso de gravações clandestinas para pressionar parlamentares que resistissem ao grupo.
As informações constam em relatórios elaborados pelo Gaeco com base em depoimentos e na análise de materiais reunidos durante a investigação. Uma testemunha, que teve a identidade preservada, descreveu o suposto funcionamento do esquema, que teria como objetivo manter Wanderley no comando do Legislativo municipal e assegurar apoio à Mesa Diretora.
Segundo o depoimento, os pagamentos mensais, chamados de “mensalinho”, seriam de aproximadamente R$ 10 mil por vereador integrante do grupo político. O dinheiro seria entregue na casa da mãe de Wanderley, nas proximidades da UBS Água Limpa, ou pelo secretário da Câmara, em um Toyota Corolla preto blindado.
A testemunha afirmou ainda que o apoio político seria reforçado pela distribuição de cargos ligados à Mesa Diretora. Cada vereador beneficiado poderia indicar de dois a quatro servidores comissionados, com remuneração de R$ 5 mil e verba indenizatória de R$ 2,5 mil, totalizando R$ 7,5 mil mensais por cargo.
O relatório também descreve uma reunião realizada entre o fim de 2024 e o início de 2025, em uma chácara atribuída ao vereador Dr. Miguel (Cidadania). Conforme a testemunha, os participantes teriam discutido apoio à eleição de Wanderley para a Presidência da Câmara e assinado cartas de renúncia aos próprios mandatos, que ficariam sob controle do grupo como garantia de fidelidade política.
Ainda segundo o relato, o mecanismo teria sido retomado durante a articulação para a eleição antecipada da Mesa Diretora, prevista para maio de 2026. A testemunha afirmou que gravações clandestinas de vereadores supostamente recebendo dinheiro seriam usadas para constranger e chantagear parlamentares que ameaçassem deixar de apoiar Wanderley.
O depoimento também atribui a Wanderley mudanças no Regimento Interno da Câmara e na Lei Orgânica de Várzea Grande, que teriam criado obstáculos à tramitação de projetos. De acordo com a testemunha, a demora poderia ser usada para abrir negociações com o Poder Executivo.











