Denúncias apresentadas pelo vereador Charles da Educação sobre a gestão do presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira, foram incorporadas à investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O caso tramita no processo judicial nº 1019098-34.2026.8.11.0042, que apura suspeitas de irregularidades envolvendo agentes políticos do Legislativo municipal.
De acordo com os documentos que integram o procedimento, Charles encaminhou uma representação ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), na qual apontou possíveis irregularidades administrativas. Entre as questões levantadas estão a falta de respostas a ofícios enviados à Presidência da Câmara, exonerações e nomeações de servidores ligados aos gabinetes parlamentares e dificuldades para exercer a fiscalização do Legislativo.
A representação também cita suspeitas relacionadas à execução de obras nas dependências da Câmara, além de questionamentos sobre a transparência dos gastos com publicidade e comunicação institucional. Conforme a manifestação do Gaeco, a ausência reiterada de respostas aos pedidos de informação pode indicar omissão administrativa e dificultar o trabalho fiscalizador dos vereadores.
Os documentos ainda apontam a necessidade de verificar se mudanças no quadro de servidores ocorreram de forma irregular e se as obras foram realizadas com a devida formalização administrativa e registros orçamentários e contábeis. As informações sobre despesas com comunicação também deverão ser examinadas no contexto das apurações.
A investigação, porém, não começou exclusivamente a partir das denúncias de Charles. O procedimento teve início após o recebimento de uma denúncia anônima sobre suspeitas de corrupção, extorsão, chantagem e possíveis articulações políticas relacionadas à disputa pelo comando da Câmara. O Gaeco também apura relatos de supostas ofertas de vantagens financeiras a parlamentares e possíveis interesses econômicos ligados à administração municipal.
A representação de Charles passou a integrar uma das frentes de apuração sobre a gestão administrativa do Legislativo. O procedimento tramita sob segredo de Justiça, e as suspeitas investigadas ainda dependem de esclarecimento, não representando comprovação de crime ou de responsabilidade dos envolvidos, que têm direito ao contraditório e à ampla defesa.











