Representantes da Prefeitura e da Câmara Municipal de Campinápolis anunciaram um compromisso pela manutenção da comarca do município após reunião com o corregedor-geral da Justiça de Mato Grosso, desembargador José Luiz Leite Lindote, no Tribunal de Justiça (TJMT), em Cuiabá. A mobilização ocorreu após a inclusão da unidade em uma proposta de reorganização do Judiciário estadual.
Durante o encontro, o procurador legislativo Rafael Pereira Lopes, que representou a Câmara Municipal, presidida pelo vereador Celiomar Piaba Bento, apresentou argumentos contrários à extinção da comarca. Entre os pontos destacados estão as particularidades da população indígena, a estrutura institucional já instalada na cidade e a atuação dos profissionais da advocacia local.
Segundo Rafael, o corregedor acolheu as justificativas apresentadas e sinalizou que a unidade continuará funcionando. As lideranças municipais consideraram o posicionamento uma conquista para a população, que depende dos serviços judiciais oferecidos no próprio município.
A defesa de Campinápolis também ressaltou as dificuldades de acesso à Justiça enfrentadas por moradores de aldeias indígenas e comunidades rurais. As estradas sem pavimentação e as limitações de acesso à internet foram apontadas como fatores que podem dificultar o deslocamento e o atendimento da população caso os serviços sejam transferidos para outra cidade.
A preocupação surgiu após o Tribunal Pleno aprovar, em 24 de setembro, uma proposta de reorganização que previa a extinção das comarcas de Campinápolis, Dom Aquino e Nortelândia, entre outras unidades. Pelo projeto, Campinápolis passaria a integrar a comarca de Nova Xavantina. Em documento encaminhado ao tribunal, a Câmara também contestou os critérios utilizados para avaliar a demanda processual e a carga de trabalho da unidade.
Apesar do compromisso anunciado pelas lideranças após a reunião, os documentos apresentados não incluem um novo ato formal do Tribunal Pleno que altere a decisão anterior. Dessa forma, a confirmação definitiva da manutenção da comarca depende da formalização da medida pelos órgãos competentes do Judiciário.










