A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso aprovou, nesta terça-feira (14), a convocação do novo secretário estadual de Saúde, Juliano Melo. O gestor deverá comparecer ao Legislativo no dia 22 de abril para prestar esclarecimentos sobre a demissão de aproximadamente 50 profissionais e o fechamento de bases do SAMU. Esta medida reflete a preocupação dos parlamentares com a gestão do serviço de urgência, que vem enfrentando mudanças estruturais significativas após a recente troca no comando do governo estadual.
Durante a reunião, o deputado Lúdio Cabral criticou a estratégia do governo de transferir atribuições do SAMU para o Corpo de Bombeiros, classificando a postura como um “asfixiamento” do serviço móvel que ocorre desde 2020. Para o parlamentar, embora o trabalho dos bombeiros seja vital, ele deve atuar de forma complementar, mantendo as diretrizes técnicas sob responsabilidade do SAMU. A demissão de condutores, enfermeiros e técnicos em março foi apontada como um fator que compromete a eficiência do atendimento à população.
Outro ponto crítico discutido foi a baixa produtividade da Central de Transplantes de Mato Grosso. O deputado Dr. João manifestou estranheza pelo fato de órgãos estarem sendo enviados para outros estados, enquanto mais de duas mil pessoas aguardam por hemodiálise localmente. A Comissão pretende ouvir os responsáveis pela Central para entender por que, mesmo com uma estrutura completa de médicos e especialistas, o número de cirurgias realizadas no último ano foi considerado insuficiente.
A pauta da educação especial e inclusiva também ganhou destaque com denúncias sobre a desassistência a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo os deputados, a exoneração de cerca de 1,4 mil professores de apoio pedagógico especializado (PAPEs) no final de 2025 interrompeu vínculos essenciais para o desenvolvimento dos alunos. A falta desses profissionais no início do ano letivo de 2026 tem impedido muitas crianças de frequentarem as aulas, forçando as famílias a buscarem o Poder Judiciário para garantir seus direitos.
Por fim, a comissão deu parecer favorável a projetos de lei importantes, como a criação de uma carteira de identificação para sobreviventes de AVC, visando agilizar o atendimento prioritário em unidades de saúde. Também avançaram propostas sobre exames genéticos para prevenção de câncer de mama e apoio psicológico para adolescentes grávidas em situação de vulnerabilidade. Outros projetos relacionados à saúde pública seguem em tramitação, aguardando novas análises antes de seguirem para votação em plenário.










