Conselho de Medicina atribui morte de paciente à falta de recursos nas UBSs de Cuiabá

08 á 14/09 - Secundário - SANEAR RONDONÓPOLIS -  PI 91364

Uma mulher de 41 anos, cujo nome não foi divulgado, faleceu horas após ser atendida em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no bairro Tijucal, em Cuiabá, com suspeita de dengue. Ela foi transferida para o Hospital Municipal (HMC), mas não resistiu. O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) responsabiliza o prefeito Abilio Brunini (PL), que defende o atendimento de demanda espontânea nas UBSs, pela morte.

Profissionais que participaram do atendimento afirmaram que a UBS não possuía equipamentos e insumos essenciais para a realização de um atendimento de urgência, como o caso da paciente que faleceu. Segundo o prontuário da paciente, ela havia sido atendida em uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) no dia 23 de janeiro e liberada. No dia seguinte, foi levada à UBS do Tijucal, onde seu quadro piorou enquanto aguardava atendimento. Apesar da gravidade, o carrinho de parada estava incompleto, sem materiais necessários para a emergência. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas a paciente faleceu no HMC.

“É muito triste e frustrante dizer isso, mas avisamos que casos assim ocorreriam. As UBSs não possuem nem estrutura e não são feitas para atender este tipo de caso. A Prefeitura de Cuiabá tem estimulado as pessoas a buscarem a UBS, a família desta paciente seguiu a orientação e no local não havia condições de atendê-la, o que levou ao óbito”, afirmou Diogo Sampaio, presidente do CRM-MT.

Sampaio ainda destacou que a chamada demanda espontânea, composta pelos atendimentos não agendados nas UBSs, tem sido distorcida. “O que ocorre hoje em Cuiabá é uma demanda ativa, patrocinada por quem acha ou quer fazer com que as pessoas acreditem que um problema tão complexo seja resolvido de forma tão simples. Mais do que essas declarações, temos informações de que vans estão sendo usadas pelo município para transportar pacientes das UPAs para as UBSs.”

Na quinta-feira (30), o CRM-MT realizou uma fiscalização na UBS do Tijucal. Durante a ação, foram requisitados o prontuário médico da paciente, que passará por sindicância, e foram ouvidos diversos profissionais da unidade. A equipe encontrou uma série de irregularidades, como pacientes sendo atendidos com soro e medicamentos intravenosos sentados em cadeiras na recepção. Uma profissional relatou que não há outro local adequado para o atendimento.

“Além disso, encontramos pelo menos cinco casos de pacientes que não deveriam ser atendidos nas UBSs por conta da gravidade da situação deles”, completou o presidente do CRM-MT.

Médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem refutaram a alegação da prefeitura de que as unidades atendem menos de 10 pacientes por dia. “Em um dia comum, atendemos por agendamento pelo menos 20 pessoas, sem contar a demanda espontânea. O que o município alega não é de longe a nossa realidade”, afirmou um dos profissionais entrevistados pelos fiscais.

Outra preocupação relatada pelos trabalhadores da UBS é o aumento de agressões verbais e assédio aos médicos. A porta de um consultório, por exemplo, foi danificada após ser quebrada por um paciente.

“A situação é caótica e a ‘solução mágica’ apresentada pela prefeitura tem causado sérios problemas. Não vamos esperar outra pessoa morrer para tomarmos providências. A sindicância vai apurar as responsabilidades neste episódio”, concluiu Diogo Sampaio.

03 á 09/09 - Secundario - Camara de CBA -  PI 17467

Deixe uma resposta