A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã desta terça-feira (19.5) a segunda etapa da Operação Eidolon, com o objetivo de desmontar uma organização criminosa especializada na retirada ilegal de automóveis e motocicletas que estavam sob custódia da administração municipal. As ações ocorrem no município de Sorriso, a 420 quilômetros de Cuiabá.
Foram cumpridas cinco ordens de prisão, nove autorizações para buscas e apreensões, cinco bloqueios de contas bancárias, suspensão de cadastros de empresas, afastamento temporário de servidores públicos, quebra dos sigilos financeiros de oito investigados e outras medidas cautelares determinadas pela Justiça. Os mandatos foram expedidos pela 2ª Vara Criminal de Sorriso a partir de solicitação da própria corporação policial.
De acordo com as apurações conduzidas pela Delegacia de Sorriso por meio do Núcleo de Combate ao Estelionato e Lavagem de Dinheiro, a quadrilha contava com servidores municipais, falsários, intermediários e receptadores. O esquema funcionava a partir da seleção de veículos com poucas chances de serem reivindicados pelos legítimos donos, principalmente motos com irregularidades burocráticas.
A retirada fraudulenta dos bens dos pátios terceirizados ocorria mediante o uso de procurações forjadas e termos de liberação adulterados. A investigação revelou que membros do grupo tinham acesso privilegiado a bases de dados estatais, além de vínculos com pessoas ligadas a cartórios e serviços de autenticação documental, o que permitia a inclusão de informações falsas, emissão de documentos forjados e a regularização ilícita de veículos.
Com o avanço das diligências, a Polícia Civil encontrou indícios dos crimes de associação criminosa, estelionato, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de capitais, falsificação de papéis públicos e introdução de dados falsos em sistemas informatizados. Um guarda municipal foi apontado como coordenador operacional da trama criminosa, além de um juiz de paz que facilitava os trâmites cartorários utilizados para validar as fraudes.
O nome da operação, “Eidolon”, deriva do grego e carrega o significado de “imagem projetada” ou “reflexo”, representando a falsidade e a duplicidade empregadas pelos suspeitos para encobrir as atividades ilícitas. A ação integra o planejamento estratégico da corporação para o ano de 2026, dentro da Operação Pharus, vinculada ao Programa Tolerância Zero, focado no enfrentamento a organizações criminosas em todo o território mato-grossense.











