A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira (28), a Operação Reescrita para investigar três advogados suspeitos de falsificação de documento público, uso de documento falso e participação em organização criminosa. Ao todo, são cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em três residências e um escritório de advocacia, em Cuiabá. As diligências são acompanhadas por representantes da OAB-MT.
O caso envolve uma suposta decisão judicial que autorizaria a transferência de um detento da Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Mato Grosso. Segundo a investigação, o preso é apontado como vice-presidente de uma facção criminosa, e a transferência ocorreria antes do prazo determinado pela Justiça para sua permanência na unidade federal.
As investigações começaram após a Gerência de Combate ao Crime Organizado e a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco) tomarem conhecimento do documento. Em junho de 2025, havia sido apresentado um pedido de transferência do preso. Meses depois, em dezembro, dois dos advogados investigados teriam procurado uma unidade judicial em Cuiabá para solicitar providências com base em uma decisão que supostamente havia sido proferida em novembro daquele ano.
Durante a conferência, servidores do Judiciário constataram que a decisão não havia sido emitida pelo magistrado e não estava registrada no processo. O documento também apresentava um código de validação vinculado a outro caso e divergências em relação aos padrões oficiais do sistema eletrônico de execução penal. Uma análise técnica identificou indícios de edição externa do arquivo.
De acordo com a Polícia Civil, uma das investigadas teria participado da elaboração ou alteração do documento, enquanto os outros dois advogados seriam suspeitos de apresentar e utilizar o material perante a Justiça. Os mandados, autorizados pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cuiabá, buscam apreender celulares, computadores, notebooks e outros materiais que possam esclarecer a origem do arquivo e a atuação de cada suspeito.
O nome da operação faz referência à suspeita de que uma decisão anterior teria sido utilizada como base para criar outro documento, com conteúdo modificado para simular uma nova autorização de transferência do detento para Mato Grosso. A investigação pretende esclarecer as circunstâncias da produção e circulação do arquivo. Os três advogados são investigados, e as suspeitas ainda dependem de apuração.










